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Pesquisa
mostra como o brasileiro avalia a Educação
23/03/2009
Menos de um em cada 10 brasileiros considera a baixa
qualidade do ensino e o fato de os alunos não estarem
aprendendo como os principais problemas da Educação
Apenas 9% dos
brasileiros consideram a baixa qualidade do ensino e o fato
de os alunos não estarem aprendendo como os principais
problemas da Educação no País. É o que revela a pesquisa
sobre a Educação Básica Pública no Brasil, realizada pelo
Ibope Inteligência para a CNI - Confederação Nacional da
Indústria, em parceria com o movimento Todos Pela Educação.
De acordo com os dados, os baixos índices de aprendizagem
são apontados como o sexto principal problema da Educação no
País.
Para os entrevistados, o principal
problema da Educação é termos professores desmotivados / mal
pagos, que aparece em primeiro lugar, na opinião de 19% dos
entrevistados. Logo em seguida está a falta de segurança /
drogas nas escolas, que é apontado por 17%. Para 15%, o
maior problema é a falta de escolas; para 12% o número de
professores é insuficiente; e 11% acreditam que os docentes
estão desqualificados / despreparados. Outro ponto de
destaque no levantamento é que 0% dos entrevistados
considera a falta de participação dos pais como principal
problema da Educação.
Na avaliação do presidente
executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos,
questões emergenciais como a violência, a falta de vagas
ainda são mais perceptíveis, do que as estruturais, como o
aprendizado. Segundo ele, essa percepção ainda é um reflexo
da baixa escolaridade no Brasil, "acredito que essa demanda
deve aumentar no futuro, sobretudo porque o grau de
escolaridade está crescendo e, com isso, as futuras gerações
serão mais críticas e sensíveis à questão da qualidade do
ensino".
A oficial de Educação do Unicef no
Brasil, Maria de Salete Silva acredita que, apesar de a
questão da aprendizagem aparecer em apenas sexto lugar, os
cinco primeiros problemas apontados na pesquisa estão
relacionados à qualidade da Educação, com exceção da
violência. "Os resultados demonstram, sobretudo, que a
sociedade está sensível à questão da desvalorização dos
professores, de certa forma a população está olhando para o
ator fundamental: o professor", explica.
Questionados sobre a evolução da
qualidade da Educação Básica, 60% dos entrevistados afirmam
que ela está melhorando, 13% considera o ritmo da melhora
acelerado e para 47% os avanços ocorrem lentamente. Ainda
segundo a pesquisa, 41% da população classifica a Educação
Básica pública como ótima ou boa. Na região Sudeste, a mais
critica do País, esse percentual é de 32%, no Norte /
Centro-Oeste 40%, no Nordeste 46% e no Sul a avaliação
positiva chega a 54%.
No interior, a percepção sobre a
Educação é mais positiva do que nas capitais e periferias.
Quase 50% dos entrevistados do interior avaliam o ensino
como ótimo ou bom, na periferia esse percentual cai para 31%
e chega a 27% nas capitais. Quanto maior o município, mais a
população é crítica em relação à qualidade do ensino.
Nas cidades de até 20 mil
habitantes, 56% avaliam a Educação Básica como ótima ou boa;
para aquelas cuja população está entre 20 mil e 100 mil o
percentual cai para 44%; e naquelas com mais de 100 mil
habitantes a avaliação positiva chega a 33%. De acordo com
Maria de Salete, essa diferença de avaliação talvez ocorra
porque no meio urbano há uma melhor compreensão do que é
considerado qualidade. "Isso pode estar relacionado ao fato
de nas zonas urbanas haver um repertório maior de
comparação, devido ao acesso à informações e à maior
facilidade em dar continuidade aos estudos" afirma
consultora do Unicef.
Os números indicam, também, que
quanto menor a renda familiar do entrevistado, melhor é a
avaliação dele sobre a Educação: 55% das pessoas com renda
familiar de até um salário mínimo consideram a Educação
ótima ou boa. Para aqueles com renda entre um e dois
salários mínimos, esse percentual é de 46%; entre os de mais
de dois e até cinco salários, 34%. Entre a população com
renda familiar superior a dez salários, a satisfação cai
para 17%.
A pesquisa foi realizada entre os
dias 05 e 08 de dezembro de 2008 e ouviu 2002 eleitores com
16 anos ou mais em 141 municípios brasileiros. A margem de
erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Quase metade dos brasileiros
não está satisfeita com sua escolaridade
A pesquisa também revela que quase
a metade dos brasileiros, 45%, está insatisfeita com seu
nível de escolaridade. O que pode indicar uma grande demanda
potencial por mais oportunidades de Educação. Vale destacar
que 56% das pessoas que concluíram até a 4ª série do Ensino
Fundamental estão insatisfeitas com a sua escolarização e
entre os que concluíram esta etapa de ensino o percentual é
de 52%. Já entre aqueles que concluíram o Ensino Médio a
insatisfação é de 41%.
Sobre a atuação no mercado de
trabalho, 35% dos entrevistados afirmam estar insatisfeitos
em relação à sua qualificação para atuação em sua área
profissional. Para aquelas pessoas com escolaridade até a 4ª
do Ensino Fundamental esse percentual chega a 40%.
Além disso, cerca de 1/3 dos
brasileiros com escolaridade até a 4ª série do Ensino
Fundamental não exclui a possibilidade de voltar a estudar
nos próximos dois anos. Entre aqueles que concluíram o
Ensino Fundamental esse percentual é de 55% e entre aqueles
com Ensino Médio esse número é de 78%. E dentre os que
excluem a possibilidade de estudar novamente, 29% aponta a
falta de tempo como o principal argumento para não voltar às
salas de aula e 12% acredita não ter recursos suficientes
para voltar a estudar.
Para a diretora executiva do
Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, "a pesquisa
demonstra que quase a metade dos brasileiros tem consciência
das limitações impostas por uma escolaridade insuficiente e
há uma grande disposição para voltar a estudar". Ela
acredita que criar oportunidades efetivas para que isto
aconteça é um desafio que deve ser assumido por toda a
sociedade.
Mais informações:
Veja a íntegra da pesquisa
clicando
aqui
Assessoria de Imprensa
Elisângela Fernandes
Telefone: (11) 3266-5477 ramal 233
elisangela@todospelaeducacao.org.br
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Todos Pela Educação
é um movimento da sociedade civil, apartidário, que reúne
lideranças sociais, educadores, gestores públicos e
representantes da iniciativa privada, com o objetivo de
garantir Educação pública de qualidade para todas crianças e
jovens brasileiros. |